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Alergia em Eqüinos
 

Alergia em Eqüinos

Laboratórios CEPAV

É um belo domingo de primavera, as arquibancadas estão lotadas aguardando as provas finais de um dos maiores torneios hípicos do país. Cavalos e cavaleiros já estão no aquecimento. O principal favorito da prova é um belíssimo garanhão tordilho negro de um dos maiores criatórios nacionais. Cronômetros preparados, juizes posicionados e o conjunto favorito se prepara para a vitória. Ao final da prova uma surpresa: Nosso favorito derrubou 4 obstáculos e cruzou a linha com um tempo muito acima da média. Decepção geral. O que levaria o nosso favorito campeão a uma performance tão fraca ?

Foram imediatamente chamados vários Médicos Veterinários que organizaram uma junta médica. Após examinarem exaustivamente nosso campeão e após realizarem vários exames, chamaram o treinador, cavaleiro e o proprietário e concluíram: Seu animal está com C.O.P.D. . Heim!!!!!!????? exclamaram o treinador, cavaleiro e proprietário ainda meio incrédulos e decepcionados com o que assistiram na pista. E veio a explicação: C.O.P.D. é a sigla em inglês que significa "Cronic obstrutive pulmonary disease" ou Doença pulmonar crônica obstrutiva, doença de natureza alérgica e como causa secundária de infecções virais e bacterianas, que pode causar inúmeros problemas respiratórios nos eqüinos.

Este artigo vai auxiliar você a detectar a tempo e interpretar corretamente alguns dos sintomas desta doença e também ajudará a esclarecer as razões de alguns dos tratamentos e procedimentos utilizados pelos Médicos Veterinários para o tratamento desta enfermidade.

AR - O COMBUSTÍVEL DO SEU CAVALO

Qualquer que seja a raça do cavalo e independentemente de como ele é utilizado, as enfermidades respiratórias representam um dos principais problemas nesta espécie. Além do tempo que se perde no tratamento de qualquer enfermidade respiratória, existe um fator que preocupa os técnicos que é a possibilidade destas enfermidades se transformarem em um problema crônico. Isto pode prejudicar o rendimento a ponto de incapacitar o animal para as suas atividades.

De acordo com estudos representativos, à cada ano ao redor de 25% dos cavalos de corrida e de passeio contraem enfermidades agudas das vias respiratórias, enquanto que mais de 10 % dos mesmos desenvolvem diferentes tipos de doenças crônicas.

O primeiro sintoma de que algo não vai bem com o sistema respiratório é a fadiga, que pode ser intensa ou moderada, dependendo da intensidade do esforço físico à qual o animal é submetido. Pode ocorrer uma diminuição do apetite com a conseqüente perda de peso. Pode ocorrer um corrimento nasal a princípio aquoso, podendo se tornar viscoso e de coloração amarelada; respiração forçada e abdominal acompanhada de tosse; existem vários agentes que podem causar estes distúrbios, alguns deles são vírus e outros podem ser bactérias.

Em muitos casos pode ocorrer queda de performance e hemorragia pulmonar, com perda de sangue pelas narinas geralmente após grande esforço físico.

ALERGIAS

Da mesma forma que os seres humanos sofrem com problemas alérgicos, os cavalos também estão sujeitos a desenvolverem estas doenças. Cavalos podem ser sensíveis a inúmeras substâncias quase sempre existentes no meio ambiente onde vivem. Pólen de milho, de aveia, de trigo, de cevada; gramíneas, pólen de árvores, fungos, bolores, pó de baia ou celeiro e vários alimentos tais como: alfafa, cevada, milho, linhaça, sorgo, aveia, soja, trigo, trevos, podem causar manifestações alérgicas. As alergias podem também estar associadas às várias outras causas de doenças respiratórias causadas por vírus e bactérias.

Você já deve ter vivido a experiência de entrar em uma obra com dezenas de pedreiros trabalhando e com milhões de partículas de pó suspensas no ar, ou mesmo entrar em uma biblioteca com muita umidade e cheirando a mofo. Com certeza a sua primeira reação vai ser espirrar, tossir ou sentir os olhos lacrimejantes. Agora se imagine dentro de uma baia fechada e seu tratador abrindo um fardo de feno ou de cama daqueles bem secos e espalhando no cocho. Na maioria das vezes você também vai espirrar ou tossir. Agora imagine seu cavalo na mesma situação tendo que conviver com esta concentração enorme de partículas dia após dia. Esta exposição quase que contínua a estas substâncias, pode levar o animal a desenvolver várias reações alérgicas, com um aumento da produção de secreção pelos brônquios, levando a uma obstrução progressiva dos mesmos e a conseqüente diminuição da capacidade respiratória com reflexos em toda a performance do animal. Este processo alérgico pode levar o animal a desenvolver uma inflamação dos brônquios, enfraquecendo todo o sistema respiratório e abrindo as portas para várias infecções causadas por vírus ou bactérias.

O interessante é que em vários animais, como no caso do nosso campeão, estas manifestações clínicas podem passar completamente desapercebidas, indicando um tipo de situação que nós definimos como sub-clínica, isto é, não existem sintomas evidentes do problema e temos observado que em muitos casos uma "má-performance" inexplicável, pode ter relação direta com a diminuição da capacidade respiratória do animal. É o caso do carburador dos automóveis. Se o carburador não é suprido por uma quantidade de ar adequada e limpa, o motor vai afogar. O mesmo acontece com os eqüinos.

VENTIGRAFIA

Uma das grandes novidades já disponíveis no nosso meio para a avaliação da capacidade respiratória nos eqüinos, é uma técnica chamada VENTIGRAFIA, que consiste em um aparelho que mede a pressão interpleural do pulmão (a Pleura é a membrana que reveste os pulmões), através da colocação de uma sonda que vai pelo esôfago até a entrada do pulmão. Esta técnica já vem sendo utilizada em Universidades, várias hípicas e vários hipódromos e é fundamental para auxiliar os Médicos Veterinários no diagnóstico da bronquite obstrutiva crônica e principalmente monitorar o animal durante todo o treinamento e no tratamento da C.O.P.D.

COMO TRATAR OS PROBLEMAS RESPIRATÓRIOS

O tratamento dos problemas respiratórios vai depender de vários fatores tais como: a origem e a gravidade do processo, se existe ou não um componente infeccioso associado (vírus ou bactérias), se o problema é de natureza alérgica ou todos estes fatores ocorrendo simultaneamente. No caso da ocorrência de problemas de natureza infecciosa, após ser estabelecido o agente causador do problema, deve-se administrar antibióticos específicos; e mesmo nos casos comprovados de infecções por vírus (os antibióticos não agem sobre os vírus), recomenda-se a utilização de antibióticos para prevenir a ocorrência de infecções secundárias causadas por bactérias. Quando se inicia um tratamento com antibióticos, não se deve interromper a medicação antes de pelo menos 7 dias, mesmo que os sintomas clínicos tenham desaparecido.

RESISTÊNCIA DAS BACTÉRIAS AOS ANTIBIÓTICOS

Esta sendo cada vez mais freqüentes o aparecimento de bactérias resistentes aos antibióticos mais comunente utilizados para doenças respiratórias. Caso ocorra este tipo de problema, uma avaliação laboratorial mais específica deve ser utilizada. Os exames de isolamento da bactéria causadora do problema, juntamente com o teste de "Antibiograma", irá mostrar quais antibióticos devem ser utilizados para combater a infecção.

A utilização de medicamentos mucolíticos, tem a função de deixar a secreção bronquial mais fluída, diminuindo a viscosidade e facilitando a eliminação do muco. Este medicamento tem a conveniência de se apresentar sob a forma injetável para ser utilizada no início do tratamento e sob a forma oral que pode ser misturado aos alimentos. A utilização de agentes broncodilatadores, impedem a obstrução dos brônquios, fazendo com que os mesmos se abram e facilitem imediatamente a respiração. Os broncodilatadores facilitam o desprendimento do muco que fica aderido nos brônquios, facilitando também a sua expectoração. A aplicação de fluidos por via parenteral, com a reposição de vitaminas e minerais, tem um papel importante na prevenção da desidratação e ajudam a melhorar o estado geral do paciente. Uma outra forma de tratamento que vem ganhando cada vez mais espaço entre os Médicos Veterinários é a "Imunoterapia" que iremos discutir a seguir.

DIAGNÓSTICO DA ALERGIA

Até muito pouco tempo, diagnosticar as causas da alergia em eqüinos era uma tarefa muito difícil. Saber exatamente quais substâncias ou quais alimentos estariam levando o animal a apresentar sintomas respiratórios, exigia muita paciência e tempo. Há aproximadamente cinco anos, o LABORATÓRIO CEPAV trouxe dos Estados Unidos toda uma tecnologia revolucionária para diagnosticar as causas da alergia através de um simples exame de sangue.

Este teste se baseia na detecção de um grupo de anticorpos chamados Imunoglobulinas da classe IgE, que estão aumentados nos processos alérgicos. Por exemplo: Se o animal é alérgico a pó de alfafa, ele vai ter esta imunoglobulina IgE-anti-alfafa aumentada no sangue, e assim segue com todas as substâncias às quais o paciente apresentar sensibilidade.

Este painel de exames é composto de aproximadamente 60 alérgenos e 23 dos principais alimentos consumidos pelos eqüinos, incluindo os principais componentes utilizados nas rações comerciais. Os resultados dos testes indicarão se o animal está negativo, suspeito, positivo ou altamente positivo para os vários tipos de alérgenos testados.

TRATAMENTO DA C.O.P.D. PELA IMUNOTERAPIA

Além de todos os tratamentos para enfermidades respiratórias que discutimos anteriormente, uma ótima alternativa que vem sendo utilizada cada vez mais pelos Médicos Veterinários é a IMUNOTERAPIA OU HIPOSSENSIBILIZAÇÃO.

De acordo com os resultados dos testes para o diagnóstico da alergia, são preparadas vacinas individuais para tratamento por Imunoterapia. O objetivo deste tratamento é o de aumentar o limiar de tolerância do animal àquelas substâncias às quais ele é sensível, fazendo com que o paciente consiga conviver melhor dentro de seu ambiente. Esta forma de tratamento não deve ser utilizada como tratamento único, mas como um coadjuvante no tratamento de outras possíveis complicações que normalmente estão associadas aos problemas respiratórios. A melhora no quadro clínico nos casos comprovados de C.O.P.D. de natureza alérgica, começam a aparecer entre o 4º ou 5º mês de tratamento. A imunoterapia é uma ótima alternativa de tratamento dos pacientes que sofrem com esta doença crônica, é um ótimo instrumento nas mãos do Médico Veterinário, mas como toda a ferramenta de trabalho, precisa ser bem utilizada. A grande vantagem desta técnica é a de fortalecer o sistema imunológico do animal, prevenindo a ocorrência das manifestações alérgicas que favorecem o aparecimento de outros problemas respiratórios. O diagnóstico, tratamento e controle de outras enfermidades que geralmente estão associadas aos processos alérgicos são de fundamental importância para o sucesso no tratamento pela Imunoterapia.

Como vimos neste artigo, a ocorrência dos problemas respiratórios nos eqüinos tem uma importância muito grande devido a sua alta incidência e as suas conseqüências, principalmente nos animais atletas submetidos a uma rotina intensa de treinamento e competições.

Caso sejam observados qualquer sinal ou sintomas de doença respiratória em algum animal de sua propriedade, ou mesmo em haras, hípicas ou hipódromos, siga as seguintes instruções:

  1. Procure isolar o animal dos outros do plantel. Lembre-se que as infecções respiratórias causadas por bactérias ou vírus, quase sempre apresentam um caráter epidêmico, alcançando rapidamente vários outros animais.
  2. Suspenda ou diminua o ritmo de treinamento ou trabalho de seu animal.
  3. Nunca medique seu animal sem orientação profissional.
  4. Chame imediatamente seu Médico Veterinário.
  5. Quando recomeçar o trabalho ou treinamento, faça de modo paulatino.
O CEPAV LABORATÓRIOS - Tecnologia em Saúde Animal, criou um serviço de informações sobre esta e outras doenças, que pode ser solicitado por todos interessados, através dos telefones: (011) 3872-9553, através de correspondência à Rua Tanabi, 185 - São Paulo Capital - CEP 05002-010, ou pela internet www.cepav.com.br

OBS: PROIBIDA A REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE ARTIGO SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO DO CEPAV.

 

 
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